20 em 2026
álbuns que gosto lançados em 2006
Oi! Ninguém pediu review ;)
Esses dias no trabalho, enquanto lavava minha marmita na copa coletiva, fiquei conversando com uma colega de outro setor. Já tínhamos comentado, eu e ela, sobre a vida ser mais difícil sem fones de ouvido, então achei natural perguntar “qual seu tipo de música favorita?”, a pergunta mais Climatempo do mundinho musical. Fiquei feliz com a resposta: “eu amo Chico César. Mas isso agora. Em 2006 eu era emo. Amava My Chemical Romance. Sofri que não fui no show que fizeram aqui em SP na semana passada".
Eu, particularmente, não sofri. Em 2006 eu escutava Pussycat Dolls, o segundo disco de Beyoncé e o Most Wanted da Hillary Duff. Wake up, wake up.
Foi o ano que descobri o Last.fm, comprei um mp3-player na C&A, conheci Sigur Rós e uma miríade de bandas indies brasileiras. O emo só chegava para mim através de Lídio Mateus (“PARA, SEU IDIOTA!”), ícone acessível e fácil de encontrar no trólebus para o Terminal São Mateus, em São Paulo.
Outra coisa que passou por mim a 80km/h sem que eu visse foi o indie rock. 2006 é o ano do primeiro disco de estúdio do Arctic Monkeys, de Peter Bjorn & John, do TV on the Radio. No Brasil, uma mistura dos dois: CPM 22 gritando o inevitável, NX Zero insistindo que, entre razões e emoções, a saída é fazer valer a pena.
Cheguei atrasado pra tudo isso, ouvindo mesmo só nos anos seguintes.
Enfim! Tudo isso para justificar o que não vai aparecer nesse meu take de álbuns de 2006.
Vamos lá, como sempre, por ordem alfabética.
Back to Black - Amy Winehouse
Quando eu trabalhava na C&A de uma rua muito movimentada do centro de São Bernardo do Campo, uma caminhada me separava até a Americanas, onde eu ia almoçar no Mc Donald's (eu tinha 19 anos, me deixa). Eu parava para olhar os CD's e o Back to Black era o mais vendido na sessão Internacional. Na época eu achava a melodia de “You know I'm no good” um máximo e todo mundo cantava “No, no, no” de “Rehab". Acho que ninguém passou ileso de Amy Winehouse nessa época.
Escuta: “You know I'm no good", “Rehab” & “Valerie”.
Black Holes and Revelations - Muse
Nada contra os vampiros adolescentes, acho ótimo, inclusive vi alguns no cinema; mas esse disco do Muse perdeu um pouco da graça pra mim depois que “Supermassive Black Hole” musicou a cena de baseball em Crepúsculo (2008). Acho que foi por repetição. A própria banda não foi mais a mesma depois do fenômeno. Mas revisitei Black Holes and Revelations e lembrei como era feliz. É uma evolução natural do super ótimo Absolution (2003). Mais eletrônico, mais chique. Não tem como ficar isento das três primeiras faixas. Nem da maioria da coisas do Muse. O vocalista canta como se estivesse sendo arrebatado, o que engaja qualquer um.
Ouça: “Take a Bow”, “Starlight” & “Supermassive Black Hole”.
Cê - Caetano Veloso
Caetano Veloso sempre mastiga, digere e regurgita o que tá rolando no mundo em algo novo, provocador e eventualmente melhor. Cê, visto como uma releitura do indie da época, é um disco de rock “cru”, voz-guitarra-bateria-baixo. Num geral, apresenta um compositor ávido em falar de sexo, de binaridade de gênero e de sexualidades, dentro de uma construção de letras quase-declamadas, que é uma das coisas que mais gosto nessa discografia.
Confira: “Musa híbrida", “Homem” & “Odeio”.
Donuts - J Dilla
Sempre vamos encontrar um álbum de samples nas minhas listas porque sim. Nem eu sei explicar direito porque essas coisas caem no meu colo, mas Donuts caiu. Acho que ele dialogo bastante com o …Endtroducing, que citei na lista de discos e 1996. Um álbum de hip-hop basicamente instrumental. J Dilla lançou esse disco e morreu três dias depois, de um ataque cardíaco. Influenciou muita coisa que escutamos depois.
Ouça: “Don't cry", “WorkinOnIt” & “Stop”.
Esquemas Juveniles - Javiera Mena
Eu te amo, Rateyourmusic e pessoas usuárias, por me apresentarem tantos discos que estão fogem ao radar da crítica especializada que chega até meu navegador (que acaba privilegiando c e r t o s países). Esquemas Juveniles é um pop chileno assinado pela Javiera Mena. É seu primeiro disco, e que boa estreia. Os esquemas juvenis que ela se refere são suas próprias desorganizações emocionais, transformadas em disco justamente para se organizarem. É um movimento muito bonito e um álbum bem gostoso.
Escute: “Yo no te pido la luna", “Sol de invierno” & "Esquemas Juveniles”.
Infinito Particular - Marisa Monte
“Há um vilarejo ali, onde areja um tempo bom”. De algumas músicas que trazem bons ventos (faço uma playlist disso?), a que abre o álbum Infinito Particular tá entre as favoritas. Marisa Monte assina todas as faixas do disco, junto de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, companheiros de Tribalistas. Mas também tem faixa com Adriana Calcanhoto e uma com Marcelo Yuka, o que por si só já me vale o play.
Ouça: “Vilarejo", “Quem foi” e “Pernambucobucolismo”.
Meds - Placebo
Imagina assistir ao filme Segundas Intenções (1999) na TV e demorar muuuito tempo pra descobrir que a música da abertura do filme é “Every You Every Me", dos britânicos da banda Placebo. E aí a internet vem e te apresenta o que pode ser uma de suas discografias favoritas? Não sei, posso estar exagerando. Meds é o disco mais fácil do grupo, no sentido de uma sonoridade mais pop. Eu gosto.
Escute: “Broken Promise", “Meds" & “Song to say goodbye”.
Young Mountain - This Will Destroy You
Das coisas que Sigur Rós me trouxe em 2006, o post-rock e o rock instrumental foram as mais queridas. This Will Destroy You é uma das bandas mais legais nesse sentido, e Young Mountain já me acompanhou em leituras, escritas, estudos e busões. A bande fez show aqui ano passado, e adivinha quem perdeu?
Ouça: “Quiet”, “There Are Some Remedies Worse Than the Disease” & “I Believe in Your Victory”.
E essa foi a seleção de hoje. Onde você estava em 2006?
Ah, como está seu carnaval? Por aqui a equipe* se guardou para quando o carnaval chegasse, mas daí trabalhou sábado e domingo e está sem maiores forças para o resto. Todo carnaval tem seu fim? Vai saber.
Nos vemos em breve ;)
*Não temos equipe, o que justifica a ausência de pessoa revisora e os erros gramaticais/ortográficos/de continuidade/conceituais deste texto.











