Disco Tesão
Músicas ardentes
Oi! Ninguém pediu review ;)
Tesão tem que fazer sentido.
Na maior parte das narrativas que ando consumindo nos últimos anos, o retrato de relações sexuais pode surgir como instrumento pra comunicar uma ideia que está além do prazer pelo prazer. É um cuidado importante, porque a chance de cair na banalização expositiva, gratuita e explícita, é bem grande. E, afinal…
Pois bem, há filtros e filtros. Vou eleger alguns.
Em Looking (2016), série disponível na HBO Max que acompanha a vida de gays brancos classe média em São Francisco, as práticas sexuais são importantes na elaboração dos sentimentos, ainda que o sentimento tenha mais tempo de tela. Na autoficção Jerrod Carmichael: o Reality (2024), sexo é a principal, talvez única, guia da existência pós-armário de um comediante gay e negro. Em Heated Rivalry (2025), como a Letícia Arcoverde conta aqui, as minúcias das relações sexuais dos personagens apresentam quem eles realmente são. E eu poderia discorrer sobre tantas e tantas séries (e filmes e livros) que estão para além do discurso conservador supostamente geracional do não-pode-mostrar-sexo. Mas ninguém pediu review sobre isso!
Enfim. Heated Rivalry estreia em 13 de Fevereiro no HBO Max brasileiro. Esta é minha deixa para recomendar alguns discos que versam sobre prazer, erotismo e tesão. Escolhi 6, separados por ordem alfabética de títulos. Todos estão disponíveis na plataforma de streaming de sua escolha.
Les Chansons D’Amour (2007), de Alex Beaupain
As Canções de Amor é um musical francês de 2007 de Christophe Honoré que retrata um relacionamento não monogâmico e as possibilidades sexuais e de descoberta que decorrem a partir disso. Para quem ama Louis Garrel, é uma chance de vê-lo cantando, dentre outras coisas. Enquanto descreve o sexo à três com o ciúme, a delimitação dos acordos e a necessidade de confiança que lhe cabe, a trilha sonora ainda conta do conflito de desejo de um certo personagem - que só topa transar se ouvir “eu te amo".
Ouça: “Je N'Aime Que Toi", “J'Ai Cru Entendre” & “Ma Mémoire Sale”.
Emotion (2015), de Carly Rae Jepsen
Existem algumas threads no reddit que listam as canções e os álbuns da cantora Carly Rae Jepsen que partem do tesão & desejo para falar de amor. Uma vez, no feed do Instagram, uma crítica musical da Pitchfork (não encontrei o link, desculpem) contou como o Emotion (2015) tem um discurso excitado o tempo todo, atuando na borda do prazer antes dele explodir. Eu não discordo. Um dos melhores discos do pop da década passada, o álbum de Carly Rae Jepsen é bastante sem vergonha e, se você não prestar atenção o bastante, vai achá-lo bem inocente.
Ouça: “Gimmie love", “Warm Blood" & "Emotion”.
O que as mulheres querem (2025), de d.silvestre
d.silvestre é, para mim, o nome mais interessante do funk brasileiro contemporâneo. Desde que DJ K, do Heliópolis, popularizou o aprofundamento da música eletrônica no funk, alguns nomes foram criando nessa linha. Neste espaço musical de subversão, está o disco O que as mulheres querem. O jovem d.silvestre, de 20 anos, chama os MC's para provocarem a pessoa ouvinte com descrições explícitas e batidas incessantes e pesadas. Convida, ainda, a cantora Bia Soull para anunciar que “tem que ser inteligente pra falar sobre erotismo”. Quando leio que essa geração de jovens que está aí não quer falar sobre sexo, eu sempre me pergunto que recorte de geração foi feito. Ou, ainda, que diálogo a minha geração está afim de estabelecer. De repente não estamos colhendo todas as amostras possíveis.
Ouça: “Sem Moralismo", “Vem por cima" & “A sacanagem começou”
Tape #1 (2015), de Her
Este EP funciona como um elogio à feminilidade e ao desejo que ela representa ao outro. Há algo que se preocupa um pouco a mais em ser heterossexual, mas que funciona por conta de sua produção delicada e impecável. Tem algo de soul ali. E é bem chique. Tape #1 não tem uma canção que eu pularia na minha playlist de músicas foguinho.
Ouça: “Quite Like", “Her” & “Five Minutes”.
Territory (2017), de The Blaze
Em 2017, morei de graça nesse EP do duo francês The Blaze após passar um temporada no clipe da canção “Virile". Eu era mais ou menos jovem e mais ou menos melancólico. Anos depois, a Pablo Vittar lançou a letra: “você me deixou triste, triste e com tesão” e aí eu nomeei o que Territory queria me dizer. Em oposição ao disco anterior, esse aqui discute e critica masculinidades e como lidam com o sentimento e o prazer para além da broderagem sexualidade. É, sobretudo, uma narrativa que trata da memória e do corpo como territórios a serem ocupados. Com o quê?
Ouça: “Virile", “Territory” & “Juvenile".
Serge Gainsbourg - Jane Birkin (1969), de Serge Gainsbourg & Jane Birkin
Não preciso dizer nada. Dá play nisso aqui e você vai me entender.
Ouça: “Je T'Aime… Moi Non Plus" & “69 Année Érotique”.
Obrigado por ler até aqui! Não temos revisora na equipe. Você já me segue no Instagram?










Também não sei que recorte é esse que diz que jovens não se interessam por sexo. Se o pop é reflexo de seu tempo, tantas músicas com "senta" e "bota" querem dizer alguma coisa. (E isso não é uma crítica, muito pelo contrário!)
Adorei Emotion na lista! ela realmente tá muito sedenta no album mesmo que a primeira vista ele pareça mais fofo. Acho música sexy uma coisa muito difícil de encontrar, vou atrás das outras dicas. O Long Season do seu último post super virou minha nova trilha instrumental pro trabalho.