Shuffle #3
De 27 de Julho a 2 de Agosto
Essa semana assisti ao filme e, não obstante, excelente filme lésbico, D.E.B.S. (2004). Uma espécime de zoeira com As Três Espiãs Demais e qualquer série teen da Disney. Mas com todo respeito ao que de fato importa, que é o amor das protagonistas. A trilha sonora, inspiradíssima, tem The Cure, Goldfrapp e uma performance inesquecível de “A Little Respect”, do Erasure. Eu amo a atriz Jordana Brewster e até projetei uma heterossexualidade quando assisti ao filme The Faculty (1998) pela primeira vez. Que bom que todo se ajustou, ufa.
Você acha que sou ativo no Instagram porque não me segue no letterboxd.
Vamos aos álbuns.
De 2026
Zero, Alewya
As primeiras referências que me vieram à cabeça quando ouvi Zero: M.I.A., FKA Twigs, um pouquinho de Chloe x Halle. E acho que estou certo, mas aí lembrei muito da senegalense Fatima Al Qadiri - conhece? - e as coisas fizeram mais sentido. Num ano cheio de lançamentos bons do eletrônico+pop+experimental, Zero despontar é um baita elogio. E sou só eu ou os olhos na capa lembram a cantora Anitta? Nem elogio nem critico, só um comentário.
Morir Saltando, Hessel Kessel
Neste segundo álbum que, de tão bom, supera o primeiro, os chilenos da Hessel Kessel fizeram assim: gravaram todos juntos no estúdio, tudo direto, sem parar. Imagina juntar seis pessoas presencialmente em pleno 2026. Uma vez a cada semestre. Quando ouvi La Brea (2025), achei mais sinistrinho; já Morir Saltando é mais sinistrão.
Faixa da Semana
Não vou me justificar por esse disco aparecer tanto na minha lista mensal de mais ouvidos. É da trilha sonora do game Lumines Arise, e eu sou, provavelmente, o único jogador na região metropolitana de São Paulo. Se for jogar em escala mundial, apenas eu e a população nerd japonesa entre os 30-40 anos? Jogando alto aqui. É um remake de um jogo dos anos 1990 e que funciona como uma espécime de Tetris. Não à toa, quem cuidou da trilha de Lumines Arise foi o grupo Hydelic, que assina o remake Tetris Effect. Ambos os jogos colocam a música como protagonista. Enfim. “Lost in Lights” é um som eletrônico que tem algo de reflexivo e emocionante - e é bem brega, pra você não entrar nessa com inocência. Para mim tem som de memória.
Vale voltar
Rosa dos Ventos - Show encantado (1971), Maria Bethânia
Na minha lista de melhores álbuns ao vivo do Brasil, este figura entre os cinco primeiros. Quando conheci o disco, acabei alugando uma casa na faixa “Movimento dos Barcos”, onde Bethânia começa declamando um trecho de Água Viva, de Clarice Lispector. Rosa dos Ventos tem grandes interpretações de marchinhas tristes de carnaval (salve, Batatinha!) e de canções de Chico Buarque, Dorival Caymmi e Jards Macalé, mas é na teatralidade que ganha meu ouvido. A gravação desse show é considerada um marco, o primeiro registro do que Maria Bethânia inventou como palco.
Jungle (2023), The Blaze
Tão fã de longa data deste duo de franceses que às vezes sinto ressaca de tanto escutá-los. Este ano voltei com o vício. Tenho revisitado Jungle depois de tantos anos do lançamento e isso aconteceu por conta de uma versão ao vivo da faixa “Haze” que caiu em meu colo, acho que no fim do ano passado. Gosto de como a banda me deixa feliz e melancólico; agitado e calmo. Acho que a capa do álbum, um visual de um bairro na Cidade do México, traz essa ideia de contrastes procurada pelo projeto: o caos abarrotado da vida urbana versus a intimidade de cada um.
So tonight that I might see (1993), Mazzy Star
Em Elle, série de Prime Video, tem um momento muito bonitinho onde um casal se beija ao som de “Bells Ring”, canção do álbum acima. Eu vivo falando isso aqui, mas não vale repetir: esse álbum é uma das coisas mais lindas feitas nos anos 1990. Tenho até tatuagem para convencer você dessa crença. Mas isso sou eu, né, que adora uma história de amor que dá errado. E o disco mergulha em tudo que a gente pode tirar de um relacionamento, do apaixonante ao sombrio em 50 e poucos minutos.
Nos vemos semana que vem! Deixe seu like e comentário :)
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